Corpo-oralidades: afeto, política e história oral em perspectiva interseccional
DOI:
https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1624Keywords:
corpo-oralidade, História oral, Afeto, Política, InterseccionalidadeAbstract
Propõe-se uma reflexão sobre os trabalhos de história oral, na interface entre afeto e política, a partir do conceito de corpo-oralidade em perspectiva interseccional. A dimensão intercorpórea e relacional dos processos de escuta questiona a produção de conhecimento organizada em dicotomias hierarquizantes, como corpo/mente, oral/escrito e pensamento/ação, e reconhece temporalidades não lineares que entrelaçam passados, presentes e futuros. Discute-se o corpo como locus de enunciação, memória e (re)existência, especialmente no caso de corpos racializados e generificados, historicamente atravessados por violências e tecnologias de controle. Analisa-se a importância dos gestos, posturas, expressões, entonações e ritmos dos movimentos corporais como parte das narrativas corpo-orais. As discussões materializadas no dossiê Corpo-oralidade, sem distância afetiva entre os corpos implicados nas pesquisas, reafirmaram a necessidade política e existencial dos bons encontros. A história oral, em sua dimensão participativa, atenta à construção coletiva de acervos públicos, pode articular metodologicamente corpo e oralidade a partir de deslocamentos interseccionais que contribuam para abordagens feministas, antirracistas, pró-LGBTQIAPN+ e contra-coloniais no movimento corporificado da história oral.
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