História oral em perspectiva anticolonial: as armadilhas da temporalidade e do antropocentrismo

Autores/as

  • Leandro Seawright Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1523

Palabras clave:

História oral, memórias indígenas, temporalidades, colonialidade, eurocentrismo

Resumen


Este artigo explora as armadilhas conceituais da temporalidade e do antropocentrismo no âmbito de uma perspectiva anticolonial. Partindo das narrativas de Dona Merina, indígena Kaiowa, o texto discute como a memória étnica, baseada em elementos não antropocêntricos, desafia a linearidade temporal e as estruturas de poder colonial/modernas e eurocentradas. A análise propõe uma história oral anticolonial que considera as relações mais-do-que-humanas e questiona a imposição de um tempo homogêneo e progressista, ressaltando-se também os problemas das múltiplas temporalidades na luta contra a colonialidade. O trabalho articula a crítica ao eurocentrismo e a defesa de uma outra compreensão da memória indígena posta como referente.

 

Biografía del autor/a

Leandro Seawright, Universidade de São Paulo

Doutor em História Social pela Universidade de Sãoo Paulo (USP). Professor da área de Teoria e Metodologia da História do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo(FFLCH/USP). E-mail: leandro.fflch@usp.br.

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Fontes orais

RAMONA, Merina Adelina. 71 anos. novembro de 2018. Entrevistador: Leandro Seawright. Douradina, Mato Grosso do Sul. 3 de novembro de 2018.

Publicado

2025-09-17

Cómo citar

Seawright, L. . (2025). História oral em perspectiva anticolonial: as armadilhas da temporalidade e do antropocentrismo. História Oral, 28(2), 153–170. https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1523

Número

Sección

Artigos Variados