História oral em perspectiva anticolonial: as armadilhas da temporalidade e do antropocentrismo
DOI:
https://doi.org/10.51880/ho.v28i2.1523Palabras clave:
História oral, memórias indígenas, temporalidades, colonialidade, eurocentrismoResumen
Este artigo explora as armadilhas conceituais da temporalidade e do antropocentrismo no âmbito de uma perspectiva anticolonial. Partindo das narrativas de Dona Merina, indígena Kaiowa, o texto discute como a memória étnica, baseada em elementos não antropocêntricos, desafia a linearidade temporal e as estruturas de poder colonial/modernas e eurocentradas. A análise propõe uma história oral anticolonial que considera as relações mais-do-que-humanas e questiona a imposição de um tempo homogêneo e progressista, ressaltando-se também os problemas das múltiplas temporalidades na luta contra a colonialidade. O trabalho articula a crítica ao eurocentrismo e a defesa de uma outra compreensão da memória indígena posta como referente.
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Fontes orais
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